Motivo nº:n+150
Sobre quando tomei consciência de que a ciência não dita verdade, mas sim testa, e, quando está certa em suas hipóteses, prova.
Hoje, trago aqui um assunto muito sério. Tenho visto e ouvido falar sobre teorias da conspiração que dizem que o coronavírus não é real, ou que foi inventado pela China para impor seu sistema econômico ou outras histórias mirabolantes.
Isso de fakenews tem me dado nos nervos desde sempre e o que me deixa mais incrédula é que há pessoas que acreditam nessas histórias, sem verificar o teor verídico das informações.
Venho hoje, porém, fazer uma confissão. Há três anos não gostava da ciência. Isso mesmo. Não que eu acreditasse em fakenews ou qualquer coisa do tipo, até porque, desconfiada que sou, sempre busquei a raiz das informações.
Minha falta de fé na ciência envolvia tratá-la como uma entidade criada pelo ser humano para se dizer superior a um deus, ou uma divindade. Pois é, amigos leitores. Eu já acreditei nisso.
O problema é que não cresci entendendo todo o processo. Não cresci entendendo que os medicamentos que tomamos, por exemplo, passam por pesquisas, testes para depois aplicações. Eu sabia que era assim, mas não compreendia o real valor disso, a importância, entendem? O conhecimento científico que via durante o ensino escolar parecia muito distante, parecia que ficara no passado das descobertas básicas. A imagem de cientista que eu tinha, era de um ser louco, ranzinza e antissocial que vivia a ficar trancado em seus laboratórios buscando provar uma parte egoísta de si mesmo. Olhando todo esse meu pensamento passado agora, fico chocada. Mas seguimos.
Por que mudei de opinião?
Aqui não podemos usar a tradicional culpa ideológica de que a culpa é da universidade, que a universidade é uma máquina de fazer ateus, além de outros atributos que costumam colocar aos universitários (como comunistas e usuários de maconha), até porque, embora não tivesse tempo de frequentar um centro religioso durante a graduação, não deixei de acreditar nas minhas convenções religiosas, nas noções divinas que já tinha para mim antes mesmo de ingressar na faculdade.Mas também não posso deixar de atribuir às vivências universitárias e ao conhecimento metodológico adquirido um elemento X que me fizesse dar créditos à ciência.
![]() |
Levou um ano ainda na Universidade para eu entender todo o processo: que a ciência não é uma entidade, e sim um conjunto de métodos para se comprovar ou não um acontecimento no mundo. Além disso, os estudos e comprovações podem levar a soluções para as nossas vidas!
Isso não significa substituir as crenças e culturas que compõem a essência social. Significa olhar para a ciência e entender o que foi feito até que se chegasse a determinado resultado. O entendimento, a compreensão, significam conhecimento.
Eu espero que vocês percebam que nesse post não quero invalidar as crenças e as culturas, mas sim mostrar a importância que a ciência tem na humanidade. Precisamos enxergar todos os lados e entender que se tratando principalmente de saúde, muito tem sido pesquisado ao longo dos tempos. Pesquisas envolvem testes, análises, comparações. Um complexo e metodológico sistema para se chegar a uma solução.
![]() |
Fico triste de ver que há tantas conspirações que colocam a pesquisa científica como vilã. Sei que, em parte, uma parcela da culpa por essa caveira feita pode ser atribuída até ao próprio meio acadêmico. Estive lá, e realmente, há certa disputa de egos. Entretanto, essa é uma gota num oceano de vontade de levar as soluções descobertas como um retorno para a comunidade.
Agora, de forma resumida, trago para vocês o que me levou a acreditar na ciência:
1) O método científico
Quando entendi que a ciência não é impositiva, que ela segue um método, que suas hipóteses podem ser questionadas e que os pesquisadores levam esses questionamentos a sério, acreditar na ciência passou a fazer sentido para mim.2) A ciência não substitui as crenças e as culturas
Pelo contrário, ela pode até fornecer um caminho para que entendamos muito dos porquês de nossas crenças e de nossas culturas que nos fazem seres sociais (um assunto que é objeto de pesquisa de disciplinas das ciências humanas). Foi entendendo o processo científico que percebi que não preciso deixar minhas crenças de lado, que ambas podem caminhar lado a lado nos seus limites, de maneira equilibrada.3) A ciência me ensinou a questionar
Aprendi, através do método científico, a questionar, a fazer renascer a curiosidade nata do ser humano dentro de mim. Pegamos por exemplo uma criança, o quão curiosa é uma criança e pura ao mesmo tempo. E não é um questionamento por puro capricho. É um questionamento que vem depois de tentar compreender o que está sendo proposto, observar cada elemento da situação e ainda assim sentir que falta algo. E então questionar. Não aceitar de primeira as verdades que nos são dadas, mas sim compreendê-las e concluir se são ou não necessárias para nossas vidas ou então como podem essas verdades serem adaptadas segundo a realidade.É isto, peço desculpas pelo post do desabafo. E vocês, como encaram a ciência e tudo o que está acontecendo? Deixem (sem medo!) suas opiniões nos comentários!
8 Comentários
Ótimo texto, a ciência não existe para nos "impedir" de acreditar, mas sim explicar como as coisas em que acreditamos funcionam.
ResponderExcluirAbraços
Obrigada! Concordo, uma coisa não substitui a outra, mas sim dá caminhos para que possamos entender e compreender o mundo.
ExcluirAbraçz
Fico feliz por você ter tido essa oportunidade de se abrir e entender a ciência, porque compreendo que dependendo da criação isso é muito difícil! A religião ela pode te salvar, te "curar", ser teu porto seguro, mas se não usada da forma certa, ela cega. E acho triste pensar que esse comportamento cego pode ser passado de geração para geração, até um conseguir quebrar. E aí vem a desinformação, a alienação, coisa que é bem triste.
ResponderExcluirTô tão cheia de fakenews e as conspirações de que o vírus é do apocalipse ou é um vírus que a china criou :(
Beijos,
Mundo Perdido da Carol
Instagram: @carolinsweet
Fan Page
Sim, Carol! É mesmo muito triste que as pessoas não se questionem sobre o que ouvem. Se deixar dominar pela desinformação e pela alienação, como você falou, é mesmo o maior perigo. Essas fakenews e conspirações também estão acabando comigo :(
ExcluirAbraçz
Olá Núbia, este assunto tem tanto que se lhe diga...
ResponderExcluirFaz umas duas semanas que conversava com o meu marido que estes vírus que aparecem de um momento para o outro (não é bem o caso, porque este sempre andou cá), faz lembrar algo que vi ou ouvi, em que se criavam vírus em laboratórios e que os espalhavam aqui e ali, para ver qual era o desenvolvimento na vida real...
Tudo isto, para além da vida reais que se perdem, implica dinheiros, implica politica e muitas outras coisas... Eu considero isto uma género de 3ª guerra mundial. Será?
Que dias melhores virão...
Beijos e abraços.
Sandra C.
bluestrass.blogspot.com
Sim, Sandra! A mim também parece como uma 3ª Guerra Mundial, que, embora não promovida diretamente pelo ser humano, vai trazer consequências como as de uma guerra mesmo :(
ExcluirTorço para que tudo isso passe logo...
Abraçz
Olá!
ResponderExcluirAcho que é um vírus como muitos outros que foram descobertos ao longo dos anos. É uma triste realidade que temos que conviver.
Beijocas.
https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/
Realidade muito triste mesmo, Vanessa! Torço para que consigamos enfrentá-la sem maiores desgastes :(
ExcluirAbraçz
Sua interação é sempre bem-vinda!!
Deixe seu comentário acompanhado do link do seu blog que retribuo a visita!! E não esqueça de seguir também para acompanhar as atualizações!